
Entre Dois Mundos: Quando Não Pertencer Vira a Sua Potência
Na infância de Lucas Pinheiro Braathen, como ele mesmo nos conta, havia uma pergunta silenciosa no ar. No Brasil, ele era o “gringo”. Na Noruega, era o “brasileiro”.
Duas culturas, dois idiomas, dois jeitos de ver o mundo. E, no meio disso, um sujeito tentando responder: “Onde eu realmente pertenço?”
Durante muito tempo, a resposta parecia ser: em lugar nenhum. Mas anos depois, Lucas afirma algo poderoso: “A minha diferença é meu superpoder.”
Como alguém sai da dor do não pertencimento para a potência da própria singularidade? É aqui que a psicanálise ilumina o caminho de quem escolheu morar fora do Brasil.
A Ferida Narcísica: A Dor que Ninguém Vê
Para a psicanálise, pertencer é uma forma de sobrevivência emocional. É ser reconhecido pelo olhar do outro como “um dos nossos”.
Freud explicou que nossa autoestima é construída a partir desse reconhecimento inicial (o narcisismo). Quando você vive como imigrante, essa base é testada. Surge o que chamamos de ferida narcísica: aquele sentimento silencioso de que há algo “errado” ou “faltante” em nós por não nos encaixarmos totalmente no código cultural europeu.
O Olhar do Outro e o “Falso Self”
Lacan nos ensina que o sujeito se constitui através do olhar do Outro. Mas o que acontece quando esse olhar devolve apenas estranhamento?
Muitos brasileiros que vivem na Europa desenvolvem uma habilidade impressionante de se moldar. Tornam-se camaleões para evitar o conflito:
- Suavizam o sotaque.
- Contêm a expressividade (o medo de serem vistos como “muito barulhentos”).
- Enterram partes da sua história para “caber” no novo país.
Na terapia, percebemos que esse esforço constante pode criar um “Falso Self”. Você se adapta por fora, mas por dentro, o sentimento de desamparo e o cansaço de performar uma identidade que não é sua só aumentam.
Identidade não é Escolha, é Soma
Crescer ou viver entre culturas é habitar um espaço de falta. Em casa, o português e o afeto brasileiro; na rua, o idioma local e a distância europeia.
A psicanálise lacaniana nos lembra que não somos uma unidade indivisível, mas sim feitos de múltiplas identificações. Você não precisa “matar” o brasileiro para deixar nascer o europeu. A análise permite que você sustente essa divisão interna sem que ela te fragilize.
Quando a Travessia Vira Saber
O que mudou na história de Lucas não foi o passado, mas o sentido que ele deu a ele. Ele percebeu que viver no entre-lugar deu a ele recursos valiosos:
- Flexibilidade Analítica: Uma leitura mais sensível e aguçada dos ambientes.
- Mobilidade Psíquica: A capacidade de transitar por diferentes códigos sem se perder de si mesmo.
- Singularidade: Aquilo que antes parecia “falta” tornou-se um traço único de estilo.
“O pertencimento não é geográfico, é psíquico. Ele nasce quando você consegue sustentar quem você é — com todas as suas camadas e contradições.”
A Psicanálise como Espaço de Escuta na Europa
Se você mora fora e sente esse deslocamento constante, saiba que a terapia online com uma psicanalista brasileira é o lugar onde a sua língua materna e a sua nova realidade podem finalmente dialogar. A análise oferece o espaço seguro para:
- Falar da solidão e do luto da imigração.
- Integrar a raiva e o cansaço da adaptação constante.
- Transformar o “não lugar” em um lugar de liberdade.
Você não precisa escolher um lado para existir. Você pode ser a ponte. E pontes não pertencem a uma margem só; elas são o que permitem o movimento entre mundos.
Se você busca um espaço profundo de escuta, singularidade e transformação — especialmente vivendo no exterior — a psicanálise pode ser o caminho que faltava.
Será um prazer te escutar.
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