
Mudar de país é, antes de tudo, mudar de lugar na linguagem. Quando arrumamos as malas e deixamos o Brasil, levamos conosco roupas, documentos e planos. Mas há algo que inevitavelmente cai no percurso: as coordenadas simbólicas que sustentavam quem nós éramos.
Na bagagem do imigrante, a saudade dos amigos e da terra natal não é apenas a falta de convívio social. É a dor de uma perda estrutural.
Quem é você quando o Outro não te reconhece?
No Brasil, a imagem que você tinha de si era sustentada pelo olhar dos outros. Seus amigos de longa data, sua família e os códigos culturais funcionavam como um espelho especular. Eles validavam sua história, entendiam seus chistes (as piadas de duplo sentido) e decifravam o não-dito. Na clínica lacaniana, sabemos que o sujeito se constitui a partir do Outro.
Ao imigrar, esse circuito se rompe.
De repente, no novo país, suas insígnias não servem mais. A língua estrangeira, por mais que você a domine na gramática, muitas vezes não comporta o seu afeto, o seu sintoma ou a sua ironia original. Há um resto inacessível que se perde na tradução. É aí que surge o desamparo: a sensação de um vazio na imagem, como se você estivesse fantasiado de si mesmo, operando em um cenário onde falta o chão do sentido.
A saudade dos amigos e o luto do lugar ocupado
Os amigos que ficaram no Brasil funcionavam como testemunhas da sua existência e do seu lugar de sujeito. A distância física impõe um luto complexo. Não é apenas a falta do encontro ou do abraço; é o luto pelo lugar que você ocupava no desejo daquelas pessoas.
Com o tempo, o fuso horário impõe o silêncio, os assuntos divergem e o medo do esquecimento convoca a angústia. O imigrante frequentemente se depara com a verdade do não-pertencimento:
- Não se localiza mais no Brasil (que continua mudando e se movendo sem ele).
- Não se inscreve totalmente no novo país (onde a língua estrangeira tropeça na sua verdade mais íntima).
Esse “entre-lugar”, marcado pela falta, é o terreno de onde brota a angústia pura. É onde a pergunta fundamental da clínica ecoa: Quem sou eu quando me retiram o que me sustentava?
O espaço da psicanálise online no estrangeiro
A imigração rasga o tecido das nossas identificações. Mas é justamente na fissura desse rasgo, na hiância da falta, que uma nova posição subjetiva pode emergir. Não se trata de apagar o passado ou os laços com o Brasil, nem de se adaptar tacanhamente a uma nova cultura. Trata-se de saber o que fazer com esse resto que a imigração produziu.
A psicanálise online surge aqui como uma possibilidade de fronteira. Ela oferece um espaço de escuta na sua língua materna — o território de lalangue, onde seus traumas, afetos e memórias foram fundados. Fazer análise no seu próprio idioma, mesmo estando do outro lado do mundo, permite que a angústia da distância vire palavra, para que você possa, finalmente, articular o seu desejo em qualquer lugar do mapa.
Você está vivendo essa travessia e sente o peso desse exílio subjetivo?
A perda pode ser o ponto de partida para uma nova escrita. Agende uma sessão de psicanálise online e encontre um lugar para a sua palavra.
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